Fraudes em pregões do Dnit somam R$ 60 milhões e levam PF a indiciar suplente de Alcolumbre e ex-superintendente no Amapá
O empresário Breno Chaves Pinto, segundo suplente do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o ex-superintendente regional do Dnit no Amapá, Marcello Vieira Linhares, foram indiciados pela Polícia Federal no inquérito que investiga suspeitas de fraudes em licitações e desvios de recursos públicos ligados a contratos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no estado.
As apurações fazem parte da operação “Route 156”, deflagrada em julho do ano passado, que investiga um suposto esquema de direcionamento de contratos e desvio de recursos públicos federais vinculados às obras de manutenção e recuperação da BR-156, rodovia federal considerada estratégica para o Amapá.
De acordo com a PF, Breno Pinto teria exercido influência sobre a Superintendência Regional do órgão e utilizado suposto prestígio político para interferir em negociações envolvendo contratos e liberação de verbas federais. Os investigadores apontam a existência de uma organização criminosa instalada dentro da estrutura Regional do Dnit, responsável por fraudar ao menos quatro pregões eletrônicos que, somados, ultrapassam R$ 60 milhões em contratos públicos.
As investigações conduzidas em conjunto pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU) indicam que “o grupo simulava concorrência nas licitações, utilizando propostas fictícias e cláusulas consideradas restritivas nos editais. Também foram identificados indícios de omissão de servidores públicos na fiscalização dos contratos e na abertura de procedimentos administrativos diante de possíveis irregularidades“.
Mensagens obtidas em celulares apreendidos durante a investigação reforçariam a suspeita de alinhamento entre integrantes do Dnit e empresas vencedoras dos certames. Segundo a PF, entre 2024 e 2025, essas empresas receberam cerca de R$ 32 milhões em pagamentos da União, provenientes de recursos destinados à infraestrutura rodoviária federal.
Na operação realizada em julho de 2025, agentes federais cumpriram dez mandados de busca e apreensão em quatro estados. Seis deles ocorreram no Amapá, além de ações em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Amazonas. À época, Marcello Vieira Linhares foi afastado da função de superintendente do Dnit no estado.
O relatório final encaminhado pela PF à Justiça aponta ainda que Breno Pinto foi monitorado após deixar uma agência bancária em Macapá com R$ 350 mil em espécie. Em seguida, segundo a investigação, ele teria entrado em um veículo ligado a familiares do presidente do Senado. Apesar das citações, Davi Alcolumbre não é alvo da investigação.
Em nota, a assessoria do senador afirmou que “ele não possui qualquer relação com as atividades empresariais de seu suplente e que não interfere em contratações ou decisões administrativas do Dnit”. O comunicado também destaca que Alcolumbre “responde apenas pelos próprios atos” e não pode ser responsabilizado por condutas atribuídas a terceiros ou por menções ao seu nome, destituídas de prova de conduta indevida”.
Foto da matéria em destaque: Polícia Federal, na Operação “Route 156”,durante buscas na sede do Dnit, no Amapá. Crédito da imagem: Polícia Federal/Divulgação.
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