Deolane Bezerra é presa em ação contra braço financeiro do PCC e segue presa preventivamente após audiência de custódia
Durante a “Operação Vérnix”, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo em conjunto com o Ministério Público de São Paulo (MPSP), nesta quinta-feira (21/05), a influenciadora e advogada Deolane Bezerra foi presa. A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), principal facção criminosa do país.
Segundo os investigadores, Deolane passou a ser considerada peça central do esquema após a identificação de movimentações financeiras milionárias consideradas incompatíveis com o patrimônio oficialmente declarado. As apurações apontam ainda indícios de conexões com integrantes da alta cúpula do PCC.
De acordo com a Polícia Civil e o Ministério Público, empresas e estruturas patrimoniais teriam sido utilizadas para ocultar a origem ilícita de recursos. Os investigadores afirmam que a imagem pública da influenciadora, somada às atividades empresariais formais e à ostentação patrimonial, funcionaria como uma espécie de “camada de legalidade” para dificultar o rastreamento do dinheiro.
A operação também revelou, segundo as autoridades, uma complexa engrenagem financeira usada para ocultar, movimentar e reinserir recursos do crime organizado na economia formal. As investigações identificaram o uso sucessivo de empresas, circulação de valores sem origem esclarecida e aquisição de bens de alto padrão.
Como parte das medidas judiciais autorizadas, foram bloqueados mais de R$ 327,5 milhões em contas ligados aos investigados. Além disso, a Justiça determinou a apreensão de 39 veículos de luxo — e de quatro imóveis vinculados aos alvos da investigação. Das contas de Deolane foram congelados R$ 27 milhões, de acordo com a polícia, não tem origem comprovada.
As autoridades também apontam que Deolane mantinha vínculos pessoais e comerciais com um dos supostos operadores financeiros ligados à transportadora investigada no esquema. Foi a partir dessa conexão que surgiu a terceira fase das investigações, batizada de “Operação Vérnix”, com foco em aprofundar o rastreamento das ramificações empresariais, financeiras e patrimoniais do grupo.
A investigação teve origem ainda em 2019, após a apreensão de bilhetes trocados dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau, unidade onde estão presos líderes e integrantes do PCC. Segundo os investigadores, as mensagens continham ordens internas da facção e referências a possíveis ações contra agentes públicos.
Entre os trechos analisados, chamou atenção a menção a uma “mulher da transportadora”, que teria levantado informações sobre endereços de autoridades para subsidiar ataques planejados pela facção. A partir disso, foi aberto um segundo inquérito para identificar a pessoa citada e a relação da empresa com o crime organizado.
As diligências levaram os investigadores a uma transportadora sediada em Presidente Venceslau, posteriormente apontada pela Justiça como instrumento utilizado para lavagem de dinheiro da facção criminosa. A apuração resultou na chamada “Operação Lado a Lado”, que identificou crescimento patrimonial incompatível, movimentações financeiras suspeitas e o uso da empresa como “braço financeiro do PCC”.
Durante essa fase da investigação, a apreensão de um aparelho celular abriu uma nova linha de apuração. Segundo a polícia, o conteúdo extraído do dispositivo revelou conversas com integrantes da cúpula da facção, além de indícios de repasses financeiros e conexões com Deolane Bezerra.
A nova fase da operação também tem como alvo Marcola, nome pelo qual é conhecido Marcos Willians Herbas Camacho, apontado como principal líder do PCC e atualmente preso.
Entre os seis mandados de prisão expedidos pela Justiça, além da influenciadora Deolane Bezerra, estão: Everton de Souza, conhecido como “Player” e apontado como operador financeiro do esquema, e familiares de Marcola. Também são alvos Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, irmão do líder da facção; Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola, presa na Espanha; e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, apontado pelas investigações como destinatário final dos recursos lavados pela família e que está foragido.
Segundo o Ministério Público de São Paulo, integrantes da família de Marcola teriam atuado em conjunto com Deolane Bezerra em um esquema de lavagem de dinheiro ligado à organização criminosa.
A “Operação Vérnix” ainda possui dimensão internacional. Três investigados estariam fora do Brasil, em países como Bolívia, Espanha e Itália. Por isso, a Polícia Civil solicitou a inclusão dos nomes na Lista Vermelha da Interpol, mecanismo utilizado para localizar foragidos internacionais.
Antes de ser presa no Brasil, o nome de Deolane também havia sido incluído na difusão vermelha da Interpol. Havia expectativa de que ela pudesse ser detida na Itália, onde estaria nos últimos dias, mas a influenciadora retornou ao Brasil na quarta-feira (20), um dia antes da operação.
Essa é a segunda vez que Deolane enfrenta prisão em investigações relacionadas à lavagem de dinheiro. Em setembro de 2024, a “Operação Integration“, deflagrada pela Polícia Civil de Pernambuco, apurou um esquema milionário de lavagem de dinheiro e jogos ilegais (bets e rifas), utilizando empresas de eventos para ocultar ativos.
Deolane passou por audiência de custódia virtual, ainda nesta tarde (21/05) pela Vara das Garantias de Osasco, em São Paulo. Segundo o Tribunal de Justiça, ela permanece presa preventivamente, na Penitenciária Feminina de Sant’Ana, na zona Norte da capital paulista.
Foto da matéria em destaque: Influencer e advogada Deolane Bezerra durante viagem à Roma. Crédito da imagem: Redes Sociais/Acervo Pessoal.
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