Erika Hilton aciona MPF e pede proibição de bets por comentaristas esportivos durante transmissões
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) informou nesta terça-feira (23/06) que acionou o Ministério Público Federal (MPF) para pedir a proibição da divulgação de apostas esportivas como as “bets e odds” por comentaristas durante transmissões de eventos esportivos.
Segundo a parlamentar, o objetivo da representação é impedir que profissionais da área utilizem sua posição de especialistas para influenciar telespectadores a realizar apostas, especialmente quando são sugeridas combinações ou resultados considerados improváveis como forma de obter ganhos elevados.
Em publicação nas redes sociais, Erika argumentou que a prática ultrapassa os limites da publicidade convencional e pode induzir o público a acreditar que determinados resultados possuem maior probabilidade de ocorrer do que realmente têm.
“É inaceitável um comentarista usar a sua posição de especialista para induzir os telespectadores a apostarem. Mais inaceitável ainda é sugerirem apostas em resultados improváveis como uma forma de ganhar dinheiro fácil, dando a entender que o resultado é provável”, afirmou.
A deputada também criticou a presença crescente das empresas de apostas esportivas no mercado publicitário brasileiro. Para ela, toda forma de publicidade deve ser claramente identificada e seguir regras específicas de transparência e responsabilidade.
Hilton declarou ainda que, em sua avaliação, a promoção de plataformas de apostas por comentaristas esportivos representa um conflito entre informação e publicidade, especialmente quando ocorre durante a análise técnica de partidas e competições.
“Isso ultrapassa todos os limites. Toda forma de publicidade precisa ser devidamente sinalizada, e a publicidade de bets, que por mim sequer existiria, precisa obedecer a regras específicas e precisa do mínimo de decência”, declarou a parlamentar.
Ao defender a adoção de medidas restritivas, a parlamentar afirmou que as apostas esportivas não devem ser associadas ao esporte em si e apontou possíveis impactos sociais relacionados ao setor, como endividamento e dependência financeira.
“Bet não é esporte. É jogo de azar, é vício, é empobrecimento, é endividamento e é uma causa de suicídio”, declarou.
O pedido encaminhado ao Ministério Público Federal deverá ser analisado pelo órgão, que poderá avaliar a adoção de medidas judiciais ou extrajudiciais relacionadas à publicidade de plataformas de apostas durante transmissões esportivas.
Foto da matéria em destaque: Deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). Imagem: Antonio Araújo/Câmara dos Deputados.
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