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Saneamento no Acre é emergência de saúde pública e exige resposta urgente do Estado

O Brasil investe 10 vezes menos em saneamento básico do que deveria. Esse dado já é grave. No Acre, ele vira emergência.

O Acre ocupa a última posição entre todos os estados brasileiros em saneamento. É dado oficial do Instituto Trata Brasil. É o retrato de um estado banhado pela maior bacia hidrográfica do planeta que ainda nega o básico, água potável e esgoto tratado.

Os números mostram a urgência. Apenas 11% da população do estado tem acesso à coleta de esgoto. E só 25% do esgoto gerado pelos acreanos é de fato tratado. Esse índice de 25% se refere ao tratamento em relação à água consumida. Na água, apenas 48% dos acreanos estão conectados à rede de abastecimento. O Acre fica na 26ª posição nacional, à frente apenas de Porto Velho. Enquanto isso, Sudeste e Sul já ultrapassaram 90% de cobertura.

Na capital a situação se aprofunda. A cidade ocupa a 98ª posição entre as 100 maiores do Brasil. Quase 170 mil pessoas vivem sem acesso à água potável. Cerca de 290 mil não têm coleta de esgoto. Entre 2018 e 2025, o tratamento de esgoto subiu de 33% para 44%, um avanço ainda insuficiente.

O problema também está no orçamento. Rio Branco é a capital que menos investe em saneamento por habitante no país: R$ 8,99. O Plano Nacional de Saneamento recomenda no mínimo R$ 231,09.

E a conta chega na saúde. Falta de água e esgoto significa diarreia, verminose, hepatite. Significa criança fora da escola, pai e mãe fora do trabalho, UPA lotada. Segundo estudo do próprio Trata Brasil, universalizar o saneamento no Acre até 2055 pode gerar economia de até R$ 156 milhões em saúde. Não investir também custa. Custa dinheiro e custa vidas.

Eu participei das discussões e dei suporte técnico na elaboração do Novo Marco Legal do Saneamento. A lei estabeleceu meta clara: 99% de água e 90% de coleta e tratamento de esgoto até 2033.  A meta dá direção, mas direção sem execução não enche copo d’água e nem tira esgoto da porta de casa.

Saneamento não é obra de ano eleitoral. É política de Estado. É dever do poder público. É direito fundamental, é prevenção.

O Acre não pode continuar como exceção. Precisamos de investimento imediato, planejamento, fiscalização e vontade política. Precisamos tirar o saneamento do discurso e colocar no chão, na rua, dentro de casa. Precisamos de resposta urgente do Estado.

Por Juliet Matos: Gestora ambiental, estuda ciências políticas e atuou no acompanhamento e suporte técnico na elaboração do Novo Marco Legal do Saneamento Básico. É pré-candidata a deputada federal nas eleições de 2026 defendendo a universalização dos serviços como prioridade para saúde, cidadania e desenvolvimento.

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