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Novas suspeitas reforçam prisão preventiva de Daniel Vorcaro, transferido para a Papudinha

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro foi transferido da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, ala do Complexo Penitenciário da Papuda destinada a autoridades e presos com direito à prisão especial. A mudança ocorreu na noite de quinta-feira (25/06), após a Polícia Federal considerar que o novo local oferece condições mais adequadas de segurança, custódia e suporte ao detento.

Vorcaro estava preso preventivamente desde o dia 04 de março deste ano, nas dependências da Polícia Federal, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A transferência acontece em meio ao impasse envolvendo tentativas de acordo de colaboração premiada. Duas propostas de delação apresentadas pela defesa foram rejeitadas pelas autoridades, e o ex-banqueiro também promoveu mudanças em sua equipe jurídica. Atualmente, a equipe é liderada pelo ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais, Sérgio Leonardo.

Apesar disso, o ministro André Mendonça, relator dos processos relacionados ao caso Master no STF, ressaltou que a mudança de local não tem relação com as negociações para eventual colaboração.

Na decisão, Mendonça afirmou que a permanência de Vorcaro na Superintendência da Polícia Federal já não se mostrava adequada e atendeu a um pedido da própria corporação para que o investigado fosse removido das instalações da PF. O magistrado destacou que “a transferência é uma medida administrativa e não está vinculada à existência ou não de tratativas para um acordo de delação premiada”.

As investigações que envolvem o ex-banqueiro seguem avançando. Em relatório recente, a Polícia Federal apontou novos indícios de supostas práticas de ocultação patrimonial ligadas a Vorcaro. Os elementos foram mencionados pelo ministro ao negar um pedido de prisão domiciliar apresentado pela defesa.

Segundo a PF, surgiram fatos que indicam movimentações financeiras compatíveis com estratégias de blindagem, ocultação ou deslocamento de patrimônio. O entendimento das autoridades é que a manutenção da prisão preventiva continua necessária para preservar o andamento das apurações e evitar possíveis interferências na investigação.

O relatório também sustenta que ainda existe um núcleo de apoio ao ex-banqueiro que desempenharia papel relevante na administração de interesses patrimoniais vinculados ao grupo econômico investigado. Entre os citados está Henrique Vorcaro, pai de Daniel, que também teve negado pelo STF um pedido para revogação de sua prisão preventiva.

De acordo com os investigadores, Henrique seria apontado como mandante e operador financeiro dos pagamentos de um grupo de WhatsApp denominado “A Turma”. De acordo com a PF, mensagens extraídas durante a apuração mostram diálogos onde o núcleo teria atuado em planejamentos com ações de intimidação e obstrução da Justiça, além de realizar monitoramento ilegal de pessoas consideradas adversários, críticos, jornalistas e autoridades, incluindo simulações de agressões físicas e de assalto.

Ao determinar a transferência para a Papudinha, André Mendonça também “ordenou que a direção da unidade prisional adote medidas para impedir qualquer comunicação entre Daniel Vorcaro e outros presos ligados à Operação Compliance Zero”.

Enquanto permanece detido na nova unidade, a defesa do ex-banqueiro avalia os próximos passos jurídicos e não descarta a possibilidade de apresentar uma nova proposta de cooperação às autoridades

Foto da matéria em destaque: Ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Imagem: Redes sociais.

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