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TJDFT mantém condenação de Arruda por improbidade no mesmo dia em que ex-governador defendeu retorno ao GDF

O ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, teve mantida nesta segunda-feira (15/06) sua condenação por improbidade administrativa relacionada à Operação Caixa de Pandora. A decisão foi tomada por unanimidade pela 6ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), poucas horas após o político conceder entrevista na qual defendeu sua pré-candidatura ao Governo do Distrito Federal nas eleições de 2026.

Além de Arruda, o colegiado confirmou as condenações do ex-secretário de Saúde do DF, José Geraldo Maciel, do empresário José Celso Valadares Gontijo e da empresa Call Tecnologia e Serviços Ltda. Já as absolvições de Paulo Octávio Alves Pereira e Marcelo Carvalho de Oliveira foram mantidas por insuficiência de provas sobre eventual participação no esquema investigado.

A decisão fixou indenização de R$ 1 milhão por danos morais coletivos para cada um dos condenados e preservou a obrigação solidária de ressarcimento de R$ 257 mil aos cofres públicos. Os desembargadores também rejeitaram pedido do Ministério Público para devolução integral dos valores pagos nos contratos investigados.

O pedido do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) de restituição integral do valor bruto dos contratos foi rejeitado. Segundo o entendimento do Tribunal, houve efetiva prestação de serviços por parte da empresa contratada, o que limita o ressarcimento ao prejuízo comprovadamente causado ao erário, evitando enriquecimento indevido da administração pública.

O dano moral coletivo foi reconhecido como presumido diante da gravidade do esquema, da posição dos agentes envolvidos e do profundo abalo à confiança da sociedade brasiliense nas instituições públicas”, afirmou o Tribunal.

Tanto o MPDFT quanto os réus condenados recorreram. As defesas suscitaram, entre outras teses, a incompetência da Justiça Comum, a ocorrência de litispendência e a ilicitude das provas audiovisuais por suposta quebra da cadeia de custódia ou manipulação. O Tribunal rejeitou todas as preliminares.

Ao analisar o caso, os magistrados consideraram válidas provas reunidas durante a investigação, entre elas gravações de entrega de dinheiro em espécie, depoimentos de testemunhas e perícias bancárias. Argumentos apresentados pelas defesas para contestar a legalidade dessas provas foram rejeitados pelo colegiado.

“Não há qualquer evidência ou indício de fraude ou manipulação desta prova. Neste e em outros processos, foram laudos e mais laudos, que se somam para confirmar a licitude e lisura das gravações”, destacou o Tribunal.

Esquema investigado

A ação é um desdobramento da Operação Caixa de Pandora, que apurou um esquema de corrupção no Governo do Distrito Federal entre 2006 e 2009.

De acordo com o MPDFT, a empresa Call Tecnologia realizava pagamentos ilícitos a agentes públicos do alto escalão, para assegurar a manutenção de contratos e a liberação de recursos públicos.

As investigações apontaram a utilização recorrente do mecanismo conhecido como “reconhecimento de dívida”, instrumento que permitia pagamentos sem contrato formal ou processo licitatório. Conforme os autos, o volume desse tipo de operação cresceu mais de 500% no período analisado, enquanto os pagamentos destinados à empresa ultrapassaram R$ 66,5 milhões.

Segundo a acusação, os repasses ilegais corresponderiam a aproximadamente 10% dos valores das faturas pagas pelo governo.

O delator Durval Barbosa afirmou à Justiça que empresas contratadas pelo GDF participavam de um esquema de superfaturamento e pagamento de propinas durante a gestão Arruda. Entre os contratos investigados estão acordos relacionados ao fornecimento de equipamentos e programas de informática, que continuaram gerando pagamentos mesmo após o encerramento formal de sua vigência.

Entrevista e planos para 2026

A decisão judicial ocorreu no mesmo dia em que Arruda concedeu entrevista ao programa CB.Poder e reafirmou sua intenção de disputar novamente o comando do Palácio do Buriti.

Durante a conversa, o ex-governador afirmou que pretende concentrar sua eventual gestão em áreas como saúde, mobilidade urbana e infraestrutura. Ele criticou a situação atual dos serviços públicos do Distrito Federal e defendeu a expansão da rede hospitalar, a construção de novas linhas de metrô e a implantação de projetos de transporte sobre trilhos para integrar o DF e municípios do Entorno.

Arruda também declarou que busca recuperar seu legado político e disse considerar que sua trajetória administrativa não deve ser resumida aos episódios que resultaram em sua saída do governo.

Debate sobre elegibilidade

Na entrevista, o ex-governador demonstrou confiança na possibilidade de disputar as eleições de 2026. Ele citou a Lei Complementar nº 219/2025, sancionada em 2025, que alterou regras relacionadas aos prazos de inelegibilidade.

Segundo Arruda, a contagem do período de inelegibilidade referente às condenações que enfrenta teria se encerrado neste mês, tornando-o apto a disputar cargos eletivos. O ex-governador ressaltou, entretanto, que a questão ainda poderá ser analisada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após o ajuizamento de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) contra a nova legislação.

O que me dá a certeza de poder ser candidato? O Congresso Nacional votou a Lei Complementar 219/2025, sancionada pelo presidente, que diz que os oito ou os 12 anos de inelegibilidade, quando é mais de uma condenação, começam a contar na decisão de segundo grau. No meu caso, foi junho de 2014. Venceu neste mês. Se a lei diz isso, eu estou de acordo com ela. A partir de hoje (ontem), estou elegível pela lei vigente“, declarou Arruda em entrevista.

Em nota, a defesa de Arruda destacou que a decisão da 6ª Turma Cível ainda está sujeita à análise de instâncias superiores. Os advogados também afirmaram que o entendimento do colegiado não altera a situação eleitoral do ex-governador e sustentam que Arruda permanece plenamente elegível para disputar as eleições de 2026.

Enquanto a discussão sobre sua elegibilidade permanece aberta, a decisão da 6ª Turma Cível do TJDFT representa mais um capítulo judicial ligado à Operação Caixa de Pandora, um dos maiores escândalos políticos da história do Distrito Federal.

Foto da matéria em destaque: Ex-governador do DF, José Roberto Arruda. Imagem: Assessoria de imprensa.

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