No mesmo mês em que governo lança programa de R$ 11 bilhões contra facções, EUA sancionam PCC e CV, e Lula cobra entrega de investigados
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta sexta-feira (29/05), que o Brasil está disposto a ampliar a cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado internacional. A declaração ocorre um dia após o governo norte-americano anunciar a classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Durante discurso, Lula cobrou reciprocidade das autoridades americanas e defendeu uma atuação conjunta entre os dois países no enfrentamento às facções criminosas. O presidente citou casos de brasileiros que estariam vivendo nos Estados Unidos e que, segundo ele, deveriam ser entregues à Justiça brasileira.
Entre os nomes mencionados por Lula estão o ex-deputado federal Alexandre Ramagem e o empresário Ricardo Magro, apontado como um dos maiores devedores tributários do país por sua ligação com a antiga refinaria Refit. O presidente afirmou ter entregue ao ex-presidente Donald Trump informações sobre Magro durante encontro anterior entre os dois líderes.
“O Brasil está disposto a trabalhar para combater o crime organizado. Queremos cooperação efetiva entre os países para enfrentar essas organizações. Vamos começar por aí, vamos começar por entregar o Alexandre Ramagem, que está condenado a 16 anos e está escondido lá”. Vamos começar entregando o maior contrabandista de combustível desse país, o Ricardo Magro. Eu entreguei pro Trump o nome dele e a fotografia da casa dele. Quer combater o crime organizado? Me entregue os nossos que estão nos EUA. Não aceitamos ser tratados como moleques, como se fosse uma republiqueta. Entreguei quatro documentos a ele (Trump)”, declarou Lula ao comentar a decisão anunciada pelo governo americano.
As declarações ocorrem no mesmo mês ao lançamento do Programa Brasil Contra o Crime Organizado, o programa de combate à criminalidade assinado por Lula, no último dia 12 de maio, prevê investimento de R$ 11 bilhões, em ações de segurança pública voltadas ao combate às facções criminosas e ao fortalecimento das forças de investigação no país.
Durante cerimônia no Palácio do Planalto, Lula afirmou que o programa representa um passo importante para retomar o controle de territórios dominados pelo crime organizado. Segundo ele, o objetivo é enfraquecer a atuação das facções e ampliar a presença do Estado em áreas consideradas vulneráveis.
Do total previsto para o programa, R$ 1 bilhão será destinados a aportes diretos da União, enquanto cerca de R$ 10 bilhões serão direcionados a financiamentos para estados e municípios investirem em ações de segurança pública.
O programa foi estruturado em quatro eixos estratégicos:
- O primeiro eixo é voltado ao combate financeiro das organizações criminosas. Entre as medidas previstas estão a criação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), destinada a operações interestaduais, além da ampliação do Comitê de Investigação Financeira para rastreamento de ativos e leilão de bens apreendidos.
- O segundo eixo concentra ações no sistema prisional e contará com investimento de R$ 324,1 milhões. O foco é reduzir a influência das facções dentro das penitenciárias por meio da capacitação de agentes, instalação de bloqueadores de sinal de celular, reforço de unidades de segurança máxima, criação do Centro Nacional de Inteligência Penal e realização de operações para apreensão de armas, drogas e aparelhos eletrônicos.
- O terceiro eixo prevê investimento de R$ 196,7 milhões para aumentar a taxa de resolução de crimes no país. O plano inclui fortalecimento das polícias científicas, modernização dos Institutos Médico-Legais (IMLs) e ampliação dos bancos de perfis genéticos utilizados em investigações criminais.
- O quarto eixo, com orçamento de R$ 145,2 milhões, busca combater o tráfico de armas e desarticular rotas ilegais de abastecimento do crime organizado. Entre as medidas anunciadas estão a criação da Rede Nacional de Enfrentamento do Tráfico de Armas (Renarme), o fortalecimento do Sistema Nacional de Armas (Sinarm) e a ampliação de operações integradas em áreas de fronteira.
Além do programa, o governo federal também trabalha na elaboração da chamada Lei Antifacção. A proposta pretende criar um marco legal específico para o enfrentamento às organizações criminosas, estabelecendo tipificações penais e endurecendo punições relacionadas à atuação de facções no país.
Foto da matéria em destaque: o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançando o programa “Brasil Contra o Crime Organizado” no Palácio do Planalto em 12 maio de 2026, à direita, o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, e à esquerda, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Foto: Ricardo Stuckert.
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