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Mendonça manda prender Vorcaro, bloqueia até R$ 22 bilhões em bens e mensagens expõem plano para agredir jornalista

Daniel Vorcaro. Foto: Redes Sociais

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso envolvendo o Banco Master, determinou nesta quarta-feira (4/03) o cumprimento de quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Minas Gerais. Entre os presos está o banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como figura central do esquema investigado.

A operação marca a terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. Segundo os investigadores, a nova prisão de Vorcaro está relacionada à suspeita da prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos.

Com a decisão de Mendonça, diversos trechos do processo que estavam sob sigilo foram tornados públicos. O material revela conversas que indicam a existência de um grupo de WhatsApp chamado “A Turma”, do qual Vorcaro participava, no qual eram discutidas estratégias para intimidar adversários e críticos. Entre os alvos das ameaças estaria o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo.

De acordo com a Polícia Federal, mensagens extraídas do celular do banqueiro mostram diálogos que sugerem planejamento de agressões físicas ao jornalista, inclusive com a simulação de um assalto. Em um dos trechos citados na decisão judicial, Vorcaro afirma: “Esse quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”. Em outra mensagem, há menção à intenção de monitorar os passos do profissional e “derrubar” notícias consideradas negativas.

Os investigadores destacam que os diálogos demonstram “animus de agressão” e uma tentativa organizada de constranger a atividade jornalística. Além do jornalista, ex-servidores e concorrentes do banqueiro também teriam sido alvo de intimidações semelhantes.

As revelações provocaram forte reação de entidades representativas da imprensa. A ANJ (Associação Nacional de Jornais) e a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) divulgaram notas de repúdio às ameaças, classificando os fatos como um ataque direto à liberdade de imprensa e ao exercício profissional do jornalismo, além de repudiar a ameaça de Daniel Vorcaro, ao jornalista Lauro Jardim.

“A tentativa de intimidar um profissional de imprensa por meio de violência constitui ataque inaceitável à liberdade de expressão. Métodos dessa natureza, próprios de práticas mafiosas, são incompatíveis com o Estado de Direito e merecem a mais firme rejeição da sociedade brasileira.

A ANJ também cumprimenta a Polícia Federal pela descoberta das ameaças e o ministro André Mendonça pelas providências adotadas para salvaguardar o livre exercício da atividade jornalística”.

Associação Nacional de Jornais
04/03/2026

Além das prisões e buscas, a Polícia Federal informou que também foram cumpridas medidas de afastamento de cargos públicos, bem como o sequestro e bloqueio de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões. O objetivo é interromper a movimentação financeira do grupo investigado e preservar valores possivelmente ligados às práticas ilícitas apuradas.

Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro negou todas as acusações. Segundo os advogados, “o empresário sempre colaborou com as investigações e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades”. A defesa afirma “confiar no esclarecimento completo dos fatos e no devido processo legal, reiterando que a conduta do banqueiro será demonstrada como regular ao longo do processo”.

Foto da matéria em destaque: O banqueiro Daniel Vorcaro. Imagem: Redes Sociais.

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