Erika Hilton contesta acusações de transfobia contra Lula nas redes sociais e pede a AGU responsabilização por desinformação
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) pediu para investigar a disseminação de fake news que acusam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de transfobia, acionando a Advocacia-Geral da União (AGU). O pedido foi protocolado no domingo (18/01) junto à Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia e aponta a atuação de uma suposta rede coordenada de desinformação nas redes sociais.
Segundo a parlamentar, vídeos descontextualizados de um discurso do presidente foram utilizados para criar uma narrativa falsa sobre um episódio ocorrido durante uma cerimônia no Rio De Janeiro em alusão aos 90 anos do salário-mínimo e ao lançamento de uma medalha comemorativa da política pública.
O evento que ocorreu na sexta-feira (16/01), Lula alertou sobre os riscos do uso da Inteligência Artificial, destacando o quanto podem ser criados e disseminados imagens falsas sem consentimento. Um trecho específico da fala passou a circular isoladamente nas redes sociais, gerando repercussão política. No recorte divulgado, o petista utiliza o pronome masculino ao se referir a uma pessoa chamada “Erika”, o que levou parlamentares e influenciadores a sugerirem que a menção seria direcionada à deputada Erika Hilton.
A partir dessa interpretação, Lula passou a ser acusado de transfobia. Enquanto setores da oposição classificaram o episódio como ofensivo, outros usuários apontaram a ausência de contexto e levantaram a hipótese de um erro involuntário, sem relação com a parlamentar.
Diante da repercussão, Erika Hilton se manifestou publicamente para rebater as acusações,“esse ponto central da fala foi ignorado por adversários políticos, que teriam transformado o episódio em mais uma ofensiva baseada em preconceito e desinformação”.
“Pros bolsonaristas, isso não parece ser um problema. Pra eles, problema é gente trans existir”, afirmou Erika Hilton.
Segundo a parlamentar, o presidente conversava com uma pessoa da plateia e o uso do nome não tinha relação com sua figura, ressaltando que há outras mulheres chamadas Erika. Ela também contextualizou o discurso presidencial, afirmando que Lula alertava para os riscos do uso da Inteligência Artificial na produção de “pornografia sem consentimento ou até mesmo na publicação de pornografia infantil”.
No pedido encaminhado à AGU, a deputada sustenta que “a acusação de transfobia é materialmente impossível, uma vez que ela não estava no local do evento”. Segundo ela, “a disseminação deliberada das fake news atinge não apenas a honra do presidente da República, mas também a integridade da informação pública, além de alimentar discursos de ódio contra pessoas trans e fragilizar a confiança nas instituições democráticas”.
“Não, o presidente Lula não me chamou de ‘ele’ durante um evento no Rio de Janeiro. Porque eu literalmente não estava nesse evento. Há dias, estou no interior de São Paulo”, declarou a deputada.
A documentação apresentada aponta ainda que algumas postagens nas Redes Sociais individuais alcançaram milhões de visualizações. Na avaliação da parlamentar, “indica um alto grau de coordenação e potencial de dano institucional”.
Diante dessa repercussão, a parlamentar solicitou “a responsabilização dos envolvidos, a remoção imediata dos conteúdos falsos, retratação pública e a adoção de medidas administrativas e judiciais para impedir novas ofensivas de desinformação”.
Foto da matéria em destaque: Deputada Erika Hilton. Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados.
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