Família Bolsonaro reage à prisão domiciliar e fala em ‘primeiro passo por justiça’
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de conceder prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) repercutiu entre familiares e aliados políticos nesta terça-feira (24/03). A medida foi autorizada por um período inicial de 90 dias, a contar da alta médica, em razão do quadro de broncopneumonia apresentado pelo ex-chefe do Executivo.
Na decisão, Moraes destacou que, conforme a literatura médica, o tempo de recuperação pulmonar em pacientes idosos — Bolsonaro tem 71 anos — pode variar entre 45 e 90 dias. O ministro também afirmou que, ao fim desse prazo, “a necessidade de manutenção da prisão domiciliar será reavaliada, podendo incluir a realização de perícia médica”.
Após o anúncio, integrantes da família Bolsonaro se manifestaram publicamente nas redes sociais. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) afirmou que recebeu a decisão como uma “pequena vitória”, destacando o aspecto pessoal e familiar da situação.
“Sou esposa e mãe, e clamei muito a Deus para que nos ajudasse, para que ele pudesse ir para casa e receber o cuidado necessário. O amanhã pertence a Deus. A justiça e o juízo estão nas mãos Dele”, declarou.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se apresenta como pré-candidato à Presidência, afirmou que a decisão representa “um primeiro passo na busca por justiça” para o ex-presidente. Segundo ele, a concessão da domiciliar atende a preocupações relacionadas à idade e ao estado de saúde de Bolsonaro, além dos riscos associados ao uso contínuo de medicamentos.
Flávio também criticou o processo judicial, alegando falta de imparcialidade e de garantias legais.
“Esperamos que, no futuro próximo, possamos fazer justiça não só a Bolsonaro, mas a todos os perseguidos políticos”, afirmou.
Carlos Bolsonaro (PL) disse estar aliviado com a possibilidade de o pai receber cuidados mais adequados em casa, mas ponderou que a decisão não deve ser interpretada como justiça e nem celebrada como tal. Em sua avaliação, o processo apresenta irregularidades que, segundo ele, foram amplamente divulgadas pela própria imprensa.
“É óbvio que fico extremamente aliviado em finalmente ver meu pai em casa, podendo ser cuidado de forma mais adequada, aumentando sua possibilidade de sobreviver frente a tantas comorbidades médicas expostas ao longo de meses”, declarou Carlos Bolsonaro.
De acordo com Carlos Bolsonaro,“para que exista justiça de verdade, nenhuma condenação dentro desse atropelador cenário pode ser normalizada”.
Eduardo Bolsonaro, criticou a fundamentação da medida, classificando-a como “política, e não jurídica“. Para ele, o juiz da suprema corte teme Bolsonaro, nas condições em que se encontra, venha a morrer. E que isso exponha ainda mais “a imagem já desgastada de uma Suprema Corte cercada por escândalos de corrupção”. Ele também afirmou que a saúde do ex-presidente deve ser prioridade após o período de internação e tratamento.
“Espero que agora meu pai tenha, pelo menos, o devido acompanhamento médico, após um período de encarceramento que já lhe custou tempo precioso de vida. Jair Bolsonaro foi um presidente honesto. Não enriqueceu no cargo. Seus filhos não enriqueceram às custas do povo. Seu legado não pode ser o da perseguição, mas o da honra”, afirmou.
Foto da matéria em destaque: Jair Bolsonaro. Imagem: Redes sociais/Acervo pessoal.
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