Explosão da BYD nas vendas expõe crise no pós-venda; dono protesta: “Não tem peças, não compre”
A BYD vive uma rápida expansão no mercado brasileiro. Em pouco mais de uma década, a montadora chinesa saiu de uma operação ainda incipiente para se tornar uma das principais forças do setor automotivo nacional, com crescimento acelerado nas vendas, investimentos bilionários e uma fábrica de veículos eletrificados na Bahia.
A trajetória começou em Campinas (SP), em 2014 e 2015, ainda durante o segundo mandato da então presidente Dilma Rousseff (PT). As primeiras tratativas foram iniciadas em 2014, enquanto a instalação da empresa contou também com articulações e apoio do governo paulista, então comandado por Geraldo Alckmin.
O projeto inicial previa uma unidade voltada à montagem de ônibus 100% elétricos. Posteriormente, a operação passou a incluir a fabricação de painéis solares. A partir dali, a BYD ampliou sua presença no país e transformou o Brasil em seu maior mercado fora da China.
De 260 carros a milhares de unidades
O avanço da marca no mercado brasileiro chama atenção pelos números. Em 2022, a BYD vendeu apenas 260 carros no país. Em 2026, a realidade é completamente diferente.
No primeiro trimestre deste ano, a montadora já havia ultrapassado marcas tradicionais como Fiat, Chevrolet, Hyundai e Toyota no varejo. O crescimento foi impulsionado principalmente pelo Dolphin Mini, que se tornou um dos principais fenômenos da marca.
No primeiro trimestre, o modelo registrou 37.637 emplacamentos, alta de quase 74% em relação ao mesmo período de 2025.
O desempenho ganhou ainda mais força em abril. Naquele mês, a BYD alcançou a liderança das vendas no varejo brasileiro, com 14.911 unidades, superando a Volkswagen. O Dolphin Mini respondeu por cerca de 5,9 mil unidades, enquanto os híbridos da linha Song somaram aproximadamente 4,1 mil.
O resultado colocou a montadora chinesa no centro da disputa pelo consumidor brasileiro e mostrou a velocidade com que os veículos eletrificados passaram a conquistar espaço no país.
Investimento de R$ 5,5 bilhões
O avanço comercial veio acompanhado de uma expansão industrial de grande escala.
O principal marco ocorreu em outubro de 2025, com a inauguração do complexo da BYD em Camaçari (BA), instalado no terreno onde funcionava a antiga fábrica da Ford. O empreendimento recebeu investimento de R$ 5,5 bilhões e se tornou a maior fábrica de veículos eletrificados da América Latina.
A estratégia reforça a intenção da empresa de transformar o Brasil não apenas em um mercado consumidor, mas também em uma plataforma de produção e expansão regional.
Crescimento também expõe problemas
A rápida ascensão da BYD, porém, começa a ser acompanhada por reclamações de consumidores.
Um vídeo que circula na internet chamou atenção ao mostrar um proprietário de um veículo da marca circulando pelas ruas com o carro coberto de mensagens como “BYD nunca mais”, “não tem peças” e “não compre”.
Segundo as informações divulgadas, o protesto estaria relacionado à dificuldade para obter peças de reposição e à insatisfação com o atendimento de pós-venda.
O proprietário não foi identificado, e não foram divulgados detalhes sobre qual peça estaria em falta, há quanto tempo o veículo aguardaria reparo.
O episódio, portanto, não permite dimensionar a extensão do problema entre os clientes da marca, mas expõe um desafio importante para uma empresa que cresce rapidamente no país: garantir que a estrutura de assistência, manutenção e fornecimento de peças acompanhe o ritmo das vendas.
Veja o vídeo abaixo com as frases expostas no veículo de um proprietário de um BYD:
De aposta chinesa a protagonista do mercado
A transformação da BYD no Brasil é expressiva. A empresa chegou ao país com uma operação concentrada em ônibus elétricos e painéis solares e, anos depois, passou a disputar diretamente a liderança do mercado de automóveis.
O salto de 260 carros vendidos em 2022 para uma posição de liderança no varejo em 2026 evidencia a velocidade dessa expansão.
Agora, o desafio é transformar o sucesso comercial em uma relação duradoura com os consumidores. Para isso, além de ampliar as vendas e a produção nacional, a montadora precisará mostrar que consegue oferecer uma rede de pós-venda capaz de responder à crescente demanda por veículos eletrificados.
A ascensão da BYD já mudou a disputa no mercado automotivo brasileiro. A próxima etapa será provar que o crescimento acelerado também pode ser acompanhado pela mesma velocidade na assistência aos clientes.
Foto da matéria em destaque: Wang Chuanfu, fundador e CEO global da BYD, com o Presidente Lula na fábrica de Camaçari na Bahia (Foto: Ricardo Stuckert/PR – Agência Brasil).
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