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Diesel dispara, frete não acompanha e risco de greve dos caminhoneiros mobiliza governo

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, confirmou que irá se reunir com representantes dos caminhoneiros na próxima quarta-feira (25/03). O encontro contará com a participação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e de integrantes do governo federal, em meio à crescente insatisfação da categoria com o aumento do diesel.

A mobilização ocorre após os caminhoneiros decidirem, em assembleia realizada na quinta-feira (19/03), adiar a greve nacional que vinha sendo articulada. O recuo foi motivado, principalmente, pela expectativa de negociação com o governo diante da escalada no preço do diesel, que registrou alta próxima de 20% apenas no mês de março.

Além da redução no valor do combustível, a categoria apresentou uma série de reivindicações. Entre elas, a isenção de pedágio para caminhões vazios em períodos de crise — medida que poderia ser viabilizada por meio da suspensão dos eixos dos veículos — e maior fiscalização sobre os preços praticados no mercado.

Os caminhoneiros também cobram atuação mais rigorosa de órgãos como a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombutíveis (ANP) o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e o Ministério da Justiça, além da criação de um teto emergencial para o diesel. Outra demanda levantada é a reestatização da Petrobras.

As críticas se estendem às medidas já adotadas pelo governo. No último dia 12, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) zerou as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel, com a promessa de reduzir os preços. No entanto, a queda estimada de R$ 0,64 por litro foi considerada insuficiente pela categoria, especialmente após a Petrobras anunciar, no dia seguinte, um reajuste de 11,6% nas refinarias.

Outro ponto de tensão envolve o valor do frete. Segundo os caminhoneiros, não houve reajuste proporcional ao aumento do diesel, o que tem gerado prejuízos diretos. Embora exista uma tabela mínima de frete prevista em lei, a categoria afirma que a norma não vem sendo cumprida pelas transportadoras. “O diesel subiu. O frete não”, relatam.

Em resposta, o Ministério dos Transportes anunciou medidas para tentar conter a insatisfação. Entre elas, está a intensificação da fiscalização eletrônica da tabela do frete, uma das principais queixas dos caminhoneiros. Além disso, a Polícia Federal foi mobilizada para investigar possíveis práticas de cartel no mercado de combustíveis.

A articulação com os estados, no entanto, ainda é um desafio para o governo, já que parte da formação do preço dos combustíveis depende de tributos estaduais, sobre os quais a União não tem controle direto.

O cenário gera preocupação diante do histórico recente. Na Greve dos caminhoneiros de 2018, a paralisação da categoria durou cerca de 10 dias, provocou prejuízos superiores a R$ 10 bilhões e impactou diretamente a inflação, que saltou de 0,4% para 1,26% em apenas um mês.

A urgência das negociações também está relacionada ao calendário agrícola. O mês de março concentra a colheita de safras importantes, como soja e milho, o que torna o transporte rodoviário essencial para o escoamento da produção.

No cenário internacional, a alta dos combustíveis é pressionada por fatores geopolíticos. Em 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel realizaram ataques contra o Irã, que respondeu fechando o Estreito de Hormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Com isso, o preço do barril saltou de US$ 63 para US$ 117 em menos de três semanas, refletindo diretamente no custo do diesel no Brasil.

Diante desse cenário, o governo busca avançar no diálogo com a categoria para evitar uma nova paralisação e seus possíveis impactos na economia.

Foto da matéria em destaque: Pixabay.

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