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Lula defende que traficantes são vítimas de usuários e critica política de extermínio dos EUA

Durante coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (24/10) em Jacarta, capital da Indonésia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu que o enfrentamento ao narcotráfico deve começar pelo combate aos usuários dentro dos países, e não pela eliminação física de traficantes em nações vizinhas. A declaração foi feita durante encontro da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

Ao ser questionado sobre a recente fala do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — que afirmou não precisar de autorização de guerra para “matar quem traz drogas” —, Lula criticou a postura e disse que “falta compreensão” sobre a política internacional.

“Primeiro, você não está aí para matar as pessoas, está aí para prender essas pessoas. O Brasil tem feito isso há muito tempo com várias ações da Polícia Federal. O abate que criamos na Amazônia para combater o narcotráfico na fronteira é uma novidade, inclusive em parceria com a Interpol. Você não pode falar em matar as pessoas, tem que prendê-las, julgá-las e saber se realmente estavam ou não traficando. Punir conforme a lei é o mínimo que se espera de um chefe de Estado”, declarou Lula.

O presidente alertou ainda para o risco de um cenário internacional sem regras. “Vai ficar muito difícil viver se o mundo se transformar numa terra sem lei, sem respeitabilidade”, afirmou. Lula também disse que gostaria de debater o tema diretamente com Trump, caso o norte-americano queira abordar o assunto durante o encontro presencial previsto entre ambos na Indonésia até o próximo domingo.

Durante o discurso, o petista voltou a defender uma visão mais ampla sobre o combate às drogas, argumentando que o consumo interno precisa ser tratado como parte central do problema.

“Toda vez que a gente fala em combater drogas, possivelmente fosse mais fácil combater os nossos viciados, internamente. Os usuários são responsáveis pelos traficantes, que são, de certa forma, vítimas dos usuários também”, afirmou.

Lula destacou que o tráfico é resultado de uma cadeia de interdependência — “gente que vende, porque tem gente que compra; e gente que compra, porque tem gente que vende” — e defendeu maior cooperação entre os Estados Unidos e outros países no enfrentamento conjunto ao problema, declarando que o mundo não pode ficar nessa polarização em que se encontra, “o bem contra o mal”.

“É preciso que os EUA trabalhem em harmonia com os outros países, dispostos a conversar com as polícias e ministérios da Justiça de outros países para fazer algo em conjunto”, concluiu.

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